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Especial: Entrevista com Mestre Paulo Júnior

Às vésperas da sua 5° vinda a cidade do Recife, Mestre Paulo Júnior, discípulo do Mestre Li Hon Ki e praticante de artes marciais a 20 anos, nos conta a sua trajetória marcial e suas impressões a respeito do Wing Chun Kuen.

AF: Mestre Paulo, gostaria de lhe agradecer pela oportunidade desse encontro e a expectativa é de que sirva com mais informações de referência para a nossa comunidade marcial.

AF - Como foi que o sr se iniciou no caminho das artes Marciais? 

PJ - Eu sempre gostei, mas de fato me iniciei mesmo aos 15 anos, no Wing Chun, com o professor Álvaro Medrado e depois com o professor Alberto França. Posteriormente, tive a oportunidade de aprender diretamente com o mestre Li Hon Ki. 

AF - Na opinião do sr, qual é o ponto forte do Wing Chun? 

PJ - Eu parto da expectativa do Bruce Lee, que vai além de estilos e para mim, o ponto forte do Wing Chun é a objetividade, a busca pelo melhor resultado através da trajetória mais curta e simples. 


Mestre Paulo Júnior (sentado) e Professor André Silva, tradicional registro Mestre e discípulo.

AF -  O sr também se especializou no Tai Chi Chuan da família Wu. Como se deu o processo, e qual a contribuição para a sua formação marcial? 

PJ - Eu passava o dia na academia e, nos horários ociosos enquanto eu esperava a próxima aula, eu comecei a praticar o Tai Chi para preencher o tempo. O Tai Chi contribui para eu ganhar uma base mais forte. 

AF - Nessa jornada, qual foi a maior dificuldade que o sr precisou lidar? 

PJ - A maior dificuldade que precisei transpor foi a financeira. Houve um período em que fiquei sem recursos para pagar as aulas.

A maior lição das artes marciais nos oferece é o autoconhecimento, e capacidade de se autoaprimorar através da dedicação, persistência, paciência. O autoconhecimento me ajudou a superar esta dificuldade. 

AF - Quais os erros mais comuns entre os estudantes de artes marciais que o sr observa?
PJ - Achar que já sabe de tudo, e não ter paciência para aprender e dominar aquilo que é transmitido. Esse foi um erro que também já cometi, vejo hoje em alguns estudantes a dificuldade Sobretude, acatar de coração a instrução do mestre, repetir pacientemente o ensinamento e aguardar sua aprovação para só então dar um passo adiante.

AF - Há um perfil de característica em comum que sr consiga traçar entre os seus melhores esudantes de artes  marciais? 

PJ - Persistência, paciência e lealdade, que são expressos através do amor que se tem a arte.

Mestre Paulo Júnior, a direita, supervisiona alunos durante seminário. O Mestre Paulo Junior era companhia constante durante os seminários oferecidos pelo Mestre Li Hon Ki.

AF - O que o sr aconselha àqueles que estão iniciando e estão a busca de um uma escola, professor e método para começar? 

PJ - Primeiro, saiba aquilo que você quer, o que você busca, e quais as suas necessidades. Investigue os professores, observe a conduta, experimente aulas.
AF - Como o sr avalia o cenário atual dos principais torneios de artes marciais mistas no mundo? 

PJ - O MMA não permite mais a avaliação dos estilos, porém serve para avaliar a performance dos atletas, expressada na esportivizacao das artes marciais.
AF - Há algum lutador em particular que o sr admira? Por que?
PJ - Um lutador que eu admiro muito é o Minotauro. Ele expressa o espírito marcial e a estratégia. 



AF - Em relação as artes marciais chinesas, existe alguma característica que as distingua de outras artes marciais oriundas de outros lugares do mundo? 

PJ - Dado o cenário atual das artes marciais, que foram esportivizacao, neste sentido, na verdade, eu não enxergo diferenças. Tradicionalmente o objetivo era defender territórios, domínios, a exercer a auto defesa. Porém no caso das artes marciais chinesas  de região para região há diferenças que se explicam por características geográficas. 

AF - Em relação ao cenário das artes marciais chinesas no Brasil, como o sr avalia a difusão e a qualidade das escolas de uma maneira geral? 

PJ - O Brasil tem muitos Mestres que fizeram trabalhos intensos de divulgação, que resultou em grandes benefícios ao nosso país, o meu Mestre Li Hon Ki foi um dos pioneiros na divulgação. Recentemente o irmão do meu Mestre, o Mestre Li Wing Kay, recebeu o Nobel Chinês em reconhecimento ao seu trabalho divulgação da cultura chinesa no Brasil.


AF -  Há hoje uma discussão sobre uma gradativa perda da essência nas artes marciais, particularmente na China. Qual a opinião do sr  a respeito disso?
PJ - Infelizmente é uma verdade. Arte marcial nao é apenas socar e chutar, há uma filosofia por detrás dos seu movimentos e uma visão estratégica construída. Quando isso ocorre, essa perda ocorre,  é importante fazer um resgate e uma manutenção dessa essência, transmitindo conhecimentos filosóficos originais e inerentes à arte marcial para que se compreenda o processo. Isso ocorre devido ao processo de esportivizacao das artes marciais.

AF - Qual a mensagem que o sr deixa para os leitores da nossa comunidade marcial?
PJ - A arte marcial é um caminho para o autoconhecimento, e ajuda nos tornarmos pessoas melhores, nos ensinando a ocupar mais estrategicamente os espaços em que vivemos. Ele contribui para que sejamos pessoas melhores para nós mesmos, para nossa família, para nossos amigos, para a comunidade. O mundo precisa de pessoas melhores.

AF - André Freire é praticante de Yang Tai Chi Chuan Tradicional, terapeuta Reiki e Shiatsu Tradicional da escola Imperial Japonesa, membro dá Chin Woo Martial Arts Institute.

PJ - Mestre Paulo Júnior

Revisado por André Silva.

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